Isto das compras de Natal tem muito que se lhe diga.
Por exemplo, existem várias diferenças entre um homem a comprar prendas de Natal e uma mulher, como é óbvio...
O homem, naturalmente, guarda sempre para a última hora. “Epá, o jantar com o pessoal da faculdade é hoje, foda-se!”. E aí vai ele a correr ao fórum mais próximo (sim, agora é fórum, já não é centro comercial), à procura de prendas. E depois nem sabe o que vai comprar. Aí já há uma diferença considerável nas mulheres. A mulher entra no fórum e vai direitinha a uma loja específica, em que já tinha pensado dois meses antes só para aquela pessoa. O homem não. Entra, meio à toa, e depois fica a dar voltas pelos corredores, como que à espera que de um momento para o outro se acenda um néon numa das lojas a dizer “AQUI HÁ PRENDAS DE ÚLTIMA HORA PARA DAR AOS SEUS AMIGOS!”. Passadas duas horas, já à rasca para ir para o tal jantar, lá se decide por entrar numa loja de artigos variados e vai de comprar um isqueiro, um porta chaves da Audi, uma caneta, um pisa-papéis e uma garrafinha de bolso para o whisky. Claro que dá o isqueiro ao que não fuma, o porta chaves ao que não tem carro, a caneta ao amigo construtor civil analfabeto (não sei porquê, mas aos quarenta anos todos os homens têm um amigo construtor civil...), e a garrafinha ao que não bebe. É verdade, o pisa-papéis veio a mais, é um erro comum, mas nunca se sabe quem pode aparecer no jantar.
As mulheres são muito diferentes. Lembram-se sempre de comprar aquelas merdas que não interessam a ninguém. Uma jarra para o móvel da entrada, um prato gigante com desenhos artísticos (não serve para nada, mas existe sempre um na mesa da sala), velas (este presente irrita-me solenemente. Velas?! Ora se metessem as velas no cu! Para que é que alguém quer velas? Ainda por cima grossas como o caraças e que nunca ninguém vai acender, para não gastar...), e os inevitáveis bibelôs. Sobre bibelôs escreverei noutra altura...
Para os homens elas fazem questão de dar “coisinhas para o escritório”. NEM TODA A GENTE TEM ESCRITÓRIO!!! Eu até acho que o cabrão que inventou os porta canetas com um boneco de golfe está rico. Os saquinhos de golfe para por as canetas, e a bolita de golfe para enfeitar. Na realidade é um presente inútil. Só quem usa esse presente para lá ter canetas é quem na verdade não usa canetas (é só ver o escritório de um construtor civil). Mas tudo aquilo é pensado. Não há presente que uma mulher dê que não esteja pensado. Com antecedência! E a lista, oh meu Deus, a lista. Elas têm uma lista. E não falta ninguém. “Ah, aquela senhora que costuma estar sempre no cabeleireiro é tão simpática... Acho que ela vai gostar de uma vela.”.
O melhor era se alguém de uma vez por todas acabasse com esta mania de dar prendas no Natal. Ou então dêem incenso e mirra e ouro. Ao menos seguem a história do menino Jesus. É que a ele aquela merda também não servia para nada. É como se lhe estivessem a dar porta canetas de golfe, velas e pratos para por no centro da mesa. Também por outro lado ele não tinha mesa. Útil tinha sido uma ordenhadora automática, para a vaca, ou um arado para amarrar ao burro, a ver se se levantava e fazia alguma coisita, que os tempos não eram fáceis, não senhor. E depois há uma outra situação. Qualquer pessoa que participe numa troca de prendas fica um bocado constrangida quando a prenda que dá é pior que a dos outros. E a que dá prendas melhores diz na altura que não há problema, o que conta é a intenção. Mas claro que quando chega a casa diz logo: “Sou mesmo estúpido! Eu já sabia que aqueles cabrões não iam dar nada de jeito.”. Visto isto, ponham-se na pele do rei que deu o ouro. Já imagino os outros dois a rir: “Este gajo é mesmo tótó! Vamos beber umas imperiais ao Elefante Branco?”. E o do ouro: “Olha que caralhos ma fodam! Então estes cabrões trazem incenso e mirra?! Mais valia ter trazido umas ganzas, que sempre se curtia um bocado! Olha, ao menos conta como donativo e desconto no IRS...”.
Eu até era gajo para escrever sobre os bibelôs, mas este Smile já vai muito longo...
Ontem sofri uma decepção. Fui ao cinema ver o “Alexandre, o Grande”.
E qual foi a minha decepção?
A rotaria! É verdade. Naquele tempo existia uma rotaria pegada!
Eram todos rotos! Até o próprio Alexandre! Como é que é possível que um gajo que tenha conquistado tudo e mais alguma coisa, um gajo que dava cabo de tudo e todos, que era realmente fodido, fosse roto?!
Bom, o facto de ser um gajo fodido pode estar relacionado com isso...
Mas aqui há algo que não bate certo. Ou o Alexandre não fez nada do que conta a história, ou então não era roto! Admitamos, um roto não faz aquilo tudo. Um roto é sensível, é pacífico e principalmente gosta de outros homens com saias, não anda a matá-los.
Eu aliás, tenho uma teoria. Eu acho que na verdade existiu um Alexandre, o Grande. Mas o seu nome era originalmente “Alexandre, o Grande Maricas”. Claro, dos fracos não reza a história, pelo que alguém teve o bom senso de algures no tempo apagar a palavra “maricas” dos anais da história. Quer dizer, dos anais não terá apagado mesmo, mas dos livros é bem possível...
Podem dizer-me: “Ah, mas naquele tempo isso era normal.”. Amigos defensores da rotaria, em tempo nenhum é normal um homem andar a papar chavalos! Aliás, que o digam uns e outros que andam para aí a passear para trás e para a frente em Fords Transit cremes, sem janelas atrás... Nesse tempo, segundo a história, até podiam dizer: “Ah, mas não era bem assim, eles iam ao cu uns aos outros.”. Tudo bem, mas os mais velhos eram os uns e os putos é que eram os outros! É que atente-se, eles até tinham putos de estimação.
Mas o mais impressionante é o facto de o Alexandre ter mesmo um namorado! Hoje agradeço a Deus que eles não tenham dominado o mundo até aos nossos dias!
Olha o que seria andar-se aí a papar a bilha a meninos?! Quer dizer, devia talvez explicar-se a alguns indivíduos que eles não dominaram o mundo. É que há gente que julga que sim e ainda segue esse costume, mas esses estão (?!) presos...
Será o cantor Alex descendente do outro, do Grande? E o Frota, que até já beijou na boca o Castelo Branco? Será que é uma questão genética relacionada com os nomes?
Por outro lado, os gregos, impulsionadores desse hábito, foderam-nos duas vezes no Europeu de futebol... Seremos nós os meninos da Europa? Estas e outras questões no próximo episódio de: “Os Gregos eram espertos, mas rotos!”.
É triste quando uma pessoa quer trabalhar e não pode.
Tanto material, tanta piada, tanto potencial e cai?!
Quer dizer, eu explicava uma vez a um amigo meu que era mais fácil cair o governo do que o Benfica descer de divisão, mas é uma forma de expresão...
É certo que tive cerca de quatro meses para parodiar e pouco fiz, mas, na minha ingenuidade política, deixei-me convencer que o povo queria era diversão e que este governo se aguentaria até ao fim do mandato.
Depois disto só posso chegar a uma conclusão: O Presidente Sampaio não tem sentido de humor!
Eu até já o imagino:
Sampaio - Epá, mas será possível?! Será que não posso ver a bola?!
Maria - Ó filho, deixa lá isso. Não vês que vai dar uma sessão da assembleia em directo?
Sampaio - E então?
Maria - E então, já sabes que sem TV Cabo não posso ver a SIC Comédia e tenho que me entreter com qualquer coisa.
Sampaio - Mas é sempre assim! Sempre que dá bola queres ver isso!
Maria - Eu sei, mas é que as piadas dos Malucos do Riso já são muito conhecidas e eu com estes nunca sei o que esperar...
Sampaio - Ai é?! Então vais ver se eu não resolvo esse assunto...
E pronto, foi o que foi! Lá ficaram centenas de humoristas sem matéria prima...
Resta-nos a esperança de ter o Sócrates como Primeiro-Ministro. Isso ou imaginar o que se esconde por debaixo do capachinho do Portas...